Uma carta de amor para Londres. Sete anos depois

Uma carta de amor para Londres. Sete anos depois

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Londres
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Quem conhece a nossa história, sabe que há um tempo não muito distante decidimos estudar fora do Brasil. Cada um de nós fez sua própria escolha e partimos para lados opostos: Paulinho foi estudar nos Estados Unidos, e eu escolhi Londres para estudar inglês. O ano de 2007 será sempre lembrando como aquele que permitiu que um oceano, e oito meses de muita alegria e muita saudade, nos separassem.

Foi um ano intenso em que meu coração se percebeu maior do que se imaginava. Ainda havia espaço para um novo amor. Quanto mais eu vivia em Londres, mais me apaixonava por ela. E quanta felicidade ao sentir que era correspondida. Londres me amou de volta: floquinhos de neve caindo na madrugada, dias lindos de primavera, comida indiana deliciosa, amizades que cultivo até hoje. Londres não me queria diferente, apenas me queria, do meu jeito.

E sem resistir, cai em seus encantos. Quando vi, já estava lá. Naquele lugar que só os apaixonados conhecem. E, então, um dia nos separamos. Mas eu sabia que não seria para sempre.

Sete anos depois, voltei a encontrar esse amor, voltei ao meu primeiro contato com o mundo. Estava ali, na presença daquela que anos atrás me disse que existia vida além do Brasil.

Um lugar onde se fala outra língua e se toma chá com leite. Onde existe família real, ônibus de dois andares e neve. No inverno, esse lugar escurece às 4 horas da tarde; mas no verão, existe sol até às 11 “da noite”. Nele, feijão é comida de café da manhã e o arroz nem faz parte do almoço, que, durante o verão, é apreciado na grama dos parques da cidade. Parques que também são transformados em pequenos clubes onde mulheres tomam sol de biquini. <3

Londres me mostrou que pessoas cultivam muitas outras santidades, ou não acreditam em santidade nenhuma. Que uma parte delas come tudo com curry e que o mesmo idioma é falado por gente de tantas etnias. E não, os ingleses não são todos iguais, nem todos têm olhos azuis e cabelos amarelos, tampouco cabelos e olhos castanhos como eu. Uma mistura de cores, sons e cheiros que desafia todos os sentidos. Miscigenação que pulsa a cada vagão do metrô, metrô que certamente ouve dezenas e dezenas de idiomas todos os dias.

Era Londres me desafiando ao permitir que um gerente do McDonald´s me empregasse sem eu saber, ao menos, perguntar ao cliente o que ele queria comer. Me lembro como se fosse ontem, a única observação que ele fez na minha ficha de inscrição: “Great Smile” (Belo Sorriso) e no dia seguinte eu estava em treinamento no caixa.

Era Londres me mostrando o mundo porque ela é o mundo, ou melhor, o mais perfeito resumo dele. Em toda a sua beleza e com todos os defeitos. E eu me apaixonei por ela porque me apaixonei pelo mundo.

Reviver esse lugar sete anos depois, não é um deja vu. Porque se o mundo mudou, Londres também. O metrô está muito mais lotado, os restaurantes japoneses estão se espalhando, o céu está mais azul e o vento mais forte. As ruas já estão mais sujas e os pedestres já não esperam mais o sinal verde no semáforo, embora os carros ainda parem na faixa para eles passarem. Os atendentes na recepção da escola já não são mais ingleses (e, ainda bem, eu consigo entendê-los muito melhor hoje). Nem todos os táxis são pretos, nem todos os atendentes dos fast foods são estrangeiros.

O jornal “Metro” já não tem mais a mesma qualidade, a H&M já não é uma loja tão barata assim. Em todos os cantos, prédios sendo construídos ou reformados. O fish and chips ainda é a “refeição tradicional”, mas o chá vem perdendo terreno para o café. Seus museus ainda são gratuitos e os músicos de rua estão mais criativos. O telefone vermelho ainda existe, mas hoje sua função é mais turística que qualquer outra.

Mas eu também mudei. Já não sou mais a menina da primeira vez, a marinheira em sua primeira viagem. Nem tudo me surpreende, embora tudo me encante: a imperfeição, o caos, a miscigenação, o sotaque e a quantidade de gente diferente que conheço todos os dias. Londres abraçou o mundo e me ensinou a abraçar também.

E quando ando pelas suas ruas, agradeço por te-la conhecido, por te-la vivido. Se pareço apaixonada é porque sou. Sete anos de amor sincero e correspondido. Londres não se esqueceu de mim.

Mas qual é afinal a “primeira-segunda” impressão de Londres? Se conseguisse definir, com certeza não definiria. Porque Londres não é. Londres está. Sempre estará.

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