Viajar é preciso – Porque você deve fazer das viagens seu maior...

Viajar é preciso – Porque você deve fazer das viagens seu maior investimento

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Viajar refrigera a mente. Alonga o corpo. Dá voz à alma. 

Sempre tem alguém que sonha em conhecer um lugar especial. Mas o pior é que a gente não viaja muito. Temos a mania, ou hábito, ou medo, de deixar as viagens para segundo plano e acabamos priorizando outros investimentos.

Recentemente, fui convidada a dar uma palestra na Mostra Viajar, uma feira de viagens que acontece aqui em São Paulo. Enquanto eu pensava sobre o tema, lembrei de uma pesquisa feita pelo SPC Brasil e que eu havia lido no começo do ano.

Uma pesquisa feita pelo SPC Brasil, em janeiro deste ano, revelou quais são os maiores sonhos de consumo dos brasileiros. O resultado foi o seguinte… O maior sonho de consumo dos brasileiros é VIAJAR.

Isso mesmo, viajar. “Viagens internacionais” e “viagens nacionais” são mais desejados do que o carro, o queridinho de sempre. E a margem não é apertada, não. Dá uma olhadinha no gráfico aí embaixo.

Pesquisa SPC sonho de consumo

Desde sempre a gente ouve: “brasileiro é apaixonado por carro”, ou “o maior sonho de consumo dos brasileiros é comprar um carro”. Mas não, NÃO, não! O que a gente quer mesmo é viajar.

No entanto, a realização desse sonho dificilmente se concretiza. De acordo com a pesquisa:

Pesquisa SPC sonho de consumo brasileiros

O maior impedimento, de acordo com os entrevistados, é dinheiro. Sempre ele. Mas eu não tinha a intenção de falar na palestra (e nem neste post) sobre como você pode viajar gastando menos, como você pode economizar com pequenas mudanças de hábito ou falar das muitas milhões de pessoas que não têm condições nenhuma de viajar.

O título da minha palestra foi: “Por que você deveria fazer da viagem seu maior investimento”. Eu queria mostrar quais as coisas incríveis e lindas que você ganha quando viajar. Mostrar que viajar é preciso. E porque as pessoas deveriam priorizar viver essas experiências.

[su_frame]Para quem me conhece pouco, rapidinho minha história recente: meu marido, o Paulinho, e eu decidimos realizar nosso sonho de dar a volta ao mundo. Tiramos um ano sabático em 2014 e criamos este blog, a quem me dedico profissionalmente desde 2015.[/su_frame]

Veja aqui 10 coisa que aprendemos nos primeiros 30 dias do nosso mochilão.

Cada pessoa tem suas próprias motivações quando decide viajar. Dentre elas, destaquei algumas que são bastante comuns:

Conhecer lugares bonitos

Lugares que enchem os olhos de alegria, de lágrimas e de brilho. Lugares que inspiram e que acolhem. Que nos mostram novos horizontes.

Capadócia goreme

Se divertir

Dar risada, gargalhar até dar cãibra na bochecha. Fazer alguma coisa que tem vontade há muito tempo. Sentir felicidade no coração. Pagar micos que viram histórias memoráveis depois.

04 bicicleta

Descansar

Da rotina. Do estresse, do trânsito, do barulho. Descansar a mente e o corpo. Dar voz à alma. Acordar de manhã e enxergar sem aquela areinha nos olhos depois de poucas horas de sono.

tailândia

Conhecer pessoas novas

Fazer novos amigos. Descobrir como vivem, do que gostam, descobrir interesses em comum. Rir junto de uma boa piada, dividir o mesmo guarda-sol ou uma pizza tamanho família. Arejar as ideias.

amigos viagem

Conhecer lugares e culturas novas

Se apaixonar pela cor do mar ou por uma comida típica. Ver o sol se pôr às 3 da tarde ou simplesmente não se pôr em horário nenhum. Ouvir novas músicas, sentir cheiros diferentes. Ser surpreendido.

Vietnã

Realizar um sonho

Conhecer aquele lugar especial. Dos livros infantis ou das revistas de viagem. Dos filmes. Das histórias dos avós. Dos livros ou da imaginação.

Everest

E tudo isso ainda não é suficiente. Ainda colocamos outras prioridades na frente, ou simplesmente cortamos a verba de viagem quando precisamos apertar os cintos com algum gasto.

Mas eu quero, de verdade, manter minha promessa e tentar te convencer de que viajar é preciso, que é preciso colocar as viagens lá no topo da sua lista. Eu quero te mostrar como viajar, além de divertir, de fazer descansar, de mostrar lugares lindos, pode também te ensinar um montão de coisas. Pra vida toda.

Saiba como nasceu nosso sonho de fazer um mochilão.

#1 Entender aquele que é diferente de mim

Olhar o que é diferente com mais curiosidade e menos julgamento.

Quando entramos em contato com alguma coisa que nos parecer estranho, nossa primeira reação normalmente é julgar, mesmo sem intenção de machucar ou menosprezar.

Dizemos o que é certo e o que é errado, e esquecemos que do lado oposto tem alguém que pensa de forma diferente. Alguém que tem outros valores, outros costumes e outras crenças. Que foi criado de outra maneira.

Em um país como a Turquia, onde 98% das pessoas são muçulmanas, você pode imaginar como é fácil encontrar uma cena como esta da foto aí de baixo, não?

mulheres muçulmanas turquia

Mas para muitas mulheres muçulmanas, usar a burca é normal. Não necessariamente, elas são subjugadas pela sociedade. Elas cresceram nesse mundo e acreditam nele. Elas estão bem assim, acredite.

#2 Reavaliar a relação com o consumo

Tudo o que possuímos durante uma viagem é o que conseguimos carregar em nossas malas e mochilas. Uma semana, um mês, seis meses, não importa, por um tempo temos que viver com “só aquilo”.

bagagem de viagem

Mas um bom exercício pra se fazer é refletir sobre o que está faltando, de verdade. Do que você sente saudades. O que você está sentindo dificuldades em viver sem?

A carga menor de responsabilidade sobre o que “precisa ser comprado” nos faz sentir muito mais leves, literal e metaforicamente falando. E mais do que perceber que é possível comprar menos coisas e continuar a ser feliz, começamos a sentir prazer nessa falta de preocupação. Prazer em não comprar coisas que não vamos usufruir ou que não nos interessam de verdade.

#3 Encarar de frente, e com menos chateação, o que dá errado

Viajar pra qualquer lugar tira a gente da nossa bolha. Viajar nos leva pra fora da nossa casa e do nosso círculo social. Imaginem quantas adversidades podem ser vividas durante uma viagem, quantas coisas estranhas (e erradas) podem acontecer.

Reserva que não foi confirmada pelo hotel, voo muito atrasado. Comida apimentada demais. Chuva, chuva sem parar. Tombo da bicicleta, foto tirada de um lugar proibido que você não sabia. Dificuldade de comunicação. Agir contra lei por desconhecimento. Viagem de 12 horas em um ônibus quebrado e cheio de formiga. Mas, afinal de contas, viajar é preciso, não?

do vietnã pro camboja

A lista pode ser infinita. Mas muitas vezes, pouco se pode fazer para evitar, ou mesmo consertar. Então, vem o desafio: como encarar essas coisas sem deixar que elas estraguem sua viagem? Seus dias tão sonhados de felicidade?

Viajar ensina e treina as pessoas a absorver as adversidades e dar mais leveza ao impacto que elas causam.

Veja o roteiro que montamos para nosso mochilão.

#4 Aprender que a minha forma de viver não é única

Nós temos um estilo de vida que dedica boa parte do nosso dia ao trabalho. O tempo restante basicamente é dividido entre as necessidades básicas, comer por exemplo, e o convívio com a família. Algumas pessoas também conseguem ir a academia, se encontrar com os amigos ou estudar.

Se você olhar bem para a próxima foto, vai perceber que no centro dela há três mulheres, duas estão deitadas no chão e uma prestes a se deitar. Esta é uma cena muito comum no Tibete, onde fizemos a foto. Eu costumo dizer que as pessoas no Tibete são feitas de fé. A fé é vital e visceral, a base do que é o povo tibetano. Eles se identificam e se organizam socialmente pela fé.

tibetanos lhasa

É para oração que uma parte da população dedica todos os seus dias, subindo e descendo as escadas íngremes dos templos budistas, passando horas nesse movimento de deitar e levantar ou girando constantemente a roda da fé enquanto caminham pela cidade. Elas não trabalham, não vão à academia. Elas oram.

#5 Compreender que somos parte de um sistema só

As coisas que acontecem no mundo são uma sucessão de causas e consequências. Desde os primórdios, quando os homens ainda corcundas aprenderam que raspar duas pedrinhas gerava fogo.

Quando visitamos um país que tem no turismo sua fonte de renda mais importante, nós viajantes estamos diante de uma responsabilidade: nós somos o principal meio de acesso das pessoas ao dinheiro.

Por isso, é comum sermos bastante abordados na rua por pessoas vendendo das mais diferentes coisas. Crianças amarrando pulseirinha em nossos braços, lenços nas nossas cabeças, tudo pra que a gente gaste um pouquinho com elas. Nesta foto, esse cubano passava o dia na praça pedindo para as pessoas tirarem fotos dele em troca de moedas. A insistência é tanta que a irritação é quase uma certeza.

cuba pessoas trabalhando

Mas… “Caramba! Se o turismo é a fonte de renda desse lugar, então eu sou essa fonte de renda. Eu também sou responsável pela qualidade de vida dessas pessoas.” Dar-se conta disso é compreender que fazemos parte em um só sistema, que se retroalimenta, mesmo do outro lado do mundo. Imagine na sua própria cidade!

#6 Descobrir que nosso lar é onde nós estamos

Lar é laço, é afeto. Uma viagem nos mostra que nossa casa é onde nosso coração está, com quem ele quer está. Se minha casa é grande ou pequena, ou se ela é a estrada, não importa; o que faz de uma casa um lar é o que a gente vive dentro dela.

nossa casa é onde nós estamos

Eu podia, e tenho certeza que você também podia, seguir com essa lista até o infinito. Viagens mudam as pessoas. Mudam os mundos. Os horizontes.

Mas voltando à questão que eu mesma coloquei neste post. Quando pensamos onde investir nosso dinheiro e nossas energias, temos sempre muitas opções à disposição, que eu resumiria em duas categorias: as materiais e as experiências.

Roupa, carro, eletrodoméstico, eletrônicos, todos os bens materiais são temporários e incertos. É possível perde-los, quebra-los ou vê-los não cumprir mais com suas funções e sermos obrigados a comprar novos.

Viagens são experiências de vida. Viajar é preciso. Todas as experiências e aprendizados de uma viagem fazem parte de quem você é. É tudo seu, pra sempre. Por isso é permanente e certo. Viajar é investir no seu bem mais precioso. É investir em você.

Então, para terminar esse texto da mesma forma que terminei a palestra, queria fazer uma provação:

Se você precisasse fazer uma escolha lógica de consumo, qual seria? Investir em bens incertos e que trazem resultados temporários ou em bens estáveis e que só geram resultados permanentes?

Captura de Tela 2015-06-16 às 10.07.34

Viaje! Aos finais de semana, nos feriados. Faça mochilão. Tire um ano sabático. Viaje nas férias. Não importa. Simplesmente, viaje!

Agora é a sua vez! Já tem uma resposta? Foi convencido de que viajar é preciso? Fala comigo aí embaixo pelos comentários. Eu quero te ouvir! 😉

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Obrigada por ler! <3

11 COMMENTS

  1. Vou em dezembro em um mini tour pela Europa, e confesso que já li de tudo um pouco sobre viagens ao velho continente, mas nada foi tão claro, bacana, inspirador, motivador, etc, etc, etc, como esta matéria. Me identifiquei em absolutamente tudo que você disse. Parabéns! Certamente você ganhou nota 10 na sua apresentação 🙂

  2. Estou para realizar a minha primeira viagem internacional; com muito medo é ansiedade… rs.. Ontem entrei numa loja de agência de viagem e peguei algumas informações. Espero que dê tudo certo… Aliás; amei suas dicas.

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