Evitar o mal da montanha: nossa experiência no Tibete

Evitar o mal da montanha: nossa experiência no Tibete

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evitar o mal da altitude

Conhecer o Tibete foi uma das decisões de viagem mais maravilhosas que eu já fiz. UAU, como eu adorei esse lugar. Mas viajar para o Tibete, além de exigir um planejamento bem feito, também exige alguns cuidados com a saúde, principalmente para evitar o mal da montanha, que pode ser chamado também de mal da altitude.

Bateu aquele medinho, sabe? E se a gente não se acostumasse com a alta altitude e um de nós passasse super mal? Eu inventei de pensar em balão de oxigênio, desmaio e dor de cabeça um dia antes de embarcar. Um dia antes!

Então, se isso está acontecendo com você, saiba que você não está sozinho! E pra te ajudar a evitar o mal da montanha, vou dizer que se você fizer tudo certinho pode até chegar a sentir só um leve desconforto, que foi exatamente o nosso caso. 🙂

Mas antes, uma pergunta: você sabe o que é o mal da montanha e porque esse desconforto acontece?

Não sou especialista, mas fiz uma pesquisa e vou tentar explicar rapidinho.

O Mal da Montanha

Antes de mais nada, é importante eu dizer que nós já lemos em alguns artigos que o mal da montanha é quase uma “reação aleatória” do organismo. Ainda não se sabe exatamente o que a provoca, e muitas vezes pessoas com ótima preparação física têm efeitos colaterais bem piores do que as sedentárias.

Também já soubemos de casos em que a mesma pessoa reagiu de formas diferentes em duas situações de exposição a altas altitudes. Por isso, mesmo com todos os cuidados, seu corpo pode sofrer um pouco, mas isso não significa que você não deva tentar, certo?

Então vamos lá… Meus 5 cents!

Quanto mais longe nós ficamos do nível do mar, ou seja, quanto maior a nossa altitude, menor é a quantidade de oxigênio presente no ar. Por isso, em lugares onde a altitude é maior que 2500 metros, o ar é chamado de ar rarefeito. Mas nós não podemos ficar sem oxigênio, certo? Então, pra suprir essa falta o corpo começa a respirar mais rápido, na tentativa de absorver mais oxigênio. Por isso, ficamos ofegantes.

Por outro lado, em regiões de alta altitude, nosso organismo precisa de ainda mais oxigênio para trabalhar, e mesmo que a gente conseguisse rapidamente a quantidade necessária, o outro problema seria transportar todo esse oxigênio dentro do corpo.

Quem faz isso é o sangue, mais especificamente, os glóbulos vermelhos. E para transportar uma quantidade maior de oxigênio, o corpo precisa produzir mais glóbulos vermelhos. Ele vai fazer isso, mas no tempo dele.

Um outro efeito decorrente de altas altitudes é a diminuição da pressão na atmosfera. Como o nosso corpo continua com a mesma pressão, ocorre um desequilíbrio no qual a pressão de dentro do corpo é maior que a pressão fora dele, então o corpo tende a querer se expandir, o que provoca aquela sensação de desentupimento de ouvido.

evitar o mal da montanha
É como acontece com esse saquinho de pão: a pressão interna é maior que a externa e o saquinho quer se expandir.

É a junção dessas três coisas, provocadas quase sempre de maneira brusca, que causa o mal da montanha.

É aí que os principais efeitos colaterais como náuseas, tontura, dor de cabeça, cansaço extremo podem acontecer. Em alguns casos, a pessoa pode desmaiar e precisar repor oxigênio com um balão.

Esse documento da UFRJ tem informações mais técnicas pra quem tiver interesse.

Então, o que a gente fez e que você pode fazer também pra evitar o mal da altitude?

Como evitar o mal da montanha

#1 Programe um tempo de aclimatação

Como eu falei ali em cima, a mudança brusca provoca esses efeitos, então o corpo precisa de um tempo pra se adaptar à nova realidade e produzir os glóbulos vermelhos. É difícil dizer qual seria o tempo ideal, mas por tudo que me disseram, 1 dia é o mínimo. E sem cara feia… rs!

Leve a sério o período de aclimatação para evitar o mal da montanha. Não beba nada que seja alcoólico, faça o mínimo de esforço físico possível, fique quanto tempo puder deitado e tome muita, mas muita água.

Como foi com a gente: nós fizemos uma longa viagem de trem entre Chengdu e Lhasa, mais precisamente 45 horas. Em nosso plano, esse tempo seria mais do que suficiente pra irmos aclimatando, conforme o trem subia as montanhas.

evitar o mal da montanha
Painel do trem marcando mais de 4600 metros

Há controvérsias, e até hoje não temos certeza se os vagões eram pressurizados ou não, mas fizemos tudo como mandou a cartilha:

• 3 litros de água cada um por dia
• Muito mais tempo deitado e sentado do que de pé
• Comidas leves e muita fruta

Desembarcamos em Lhasa cada um com quase 20 quilos de mochila para carregar e sentindo bem pouco cansaço.

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Desembarque em Lhasa: mochilas nas costas e na frente.

#2 Tome muita água por todos os dias da viagem

A desidratação também é um dos efeitos colaterais mais perigoso, por razões óbvias… É água, amigão. Não é só durante a aclimatação que ela é importante. Para evitar o mal da montanha, a água é extremamente necessária durante o tempo em que você estiver em região de alta altitude. E sim, continuam os 3 litros/dia no mínimo.

Como foi com a gente: compramos diariamente 4 garrafas de água de 2 litros por dia. Saíamos com 3 garrafas e deixávamos uma no quarto pra tomar à noite. E mesmo à noite, não economizamos: levantávamos em média umas 2 vezes por noite, mas sem dor de cabeça.

#3 Viaje devagar

Como eu expliquei ali em cima, nosso corpo está com escassez de oxigênio e tudo o que a gente faz consome esse bem tão precioso. Evite planejar roteiros com muitas atividades no mesmo dia ou de esforço físico moderado.

Como foi com a gente: Como no Tibete não é possível viajar de forma independente, nosso roteiro foi elaborado por uma agência e só tivemos que segui-lo. Como os templos budistas são geralmente em cima das montanhas, visitar um templo já era fazer um esforço bastante considerável. Assim, o máximo que visitamos em um dia foram 3.

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Palácio Potala: 45 minutos pra subir as escadarias até o topo.
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Ultrapassando a barreira dos 5200 metros…!!!

#4 Tome Gingko Biloba

Um dos benefícios do Gingko Biloba é melhorar a circulação do sangue. Se você leu direitinho lá em cima, já sabe porque. Com a melhora da circulação, mais eficaz fica a distribuição do oxigênio no corpo e menos efeitos colaterais a gente sente.

Como foi com a gente: orientados pela minha irmã, cinco dias antes de embarcar nós começamos a tomar 3 comprimidos cada um/dia, de 8 em 8 horas. E continuamos com a mesma prática durante os 7 dias que ficamos no Tibete.

Não dá pra saber o quanto o Ginkgo Biloba ajudou (vocês viram, tomamos muitas precauções), mas o que eu posso dizer é que nós dois fomos os únicos do nosso grupo de 11 viajantes a não passar mal. Inclusive, vários deles tomaram remédios e tinha até uma médica entre nós que distribuiu o dela para o pessoal. Nós evitamos os medicamentos e seguimos firme com a Gingko Biloba.

Eu sou antropóloga (não médica, lembram?) então eu não estou receitando Gingko Biloba pra todo mundo não. Como foi muito bom pra gente, acho legal dar a sugestão, mas confirme antes com seu médico, ok?

Resumindo: prudência, água, calma e Gingko Biloba. Viu como não é tão difícil tentar evitar o mal da montanha?

Pra gente funcionou demais. Tivemos apenas dor de cabeça e só no último dia da viagem. E acho que não teve nada a ver com o mal da altitude, era tristeza mesmo em ir embora. Rs!

evitar o mal da montanha
Como ir embora depois de ver o Everest?

Espero ter ajudado e obrigada por ler! <3

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8 COMMENTS

  1. Oi tudo bem? vocês foram pelo qual país para o Tibet? SE for por Xangai como obter o visto? Não há problemas de passar por Xangai para ir ao Tibet?

    • Oi Marcia, obrigada pela mensagem e pela visita ao nosso blog!
      Então, nós fomos por Chengdu. Não passamos por Xangai, mas acredito que não haja nenhum problema.
      Pra você obter o visto, a primeira coisa é você fechar um pacote com uma agência de turismo regulamentada pelo governo. Eles mesmos te ajudam com o visto.
      Que saudade que bateu do Tibet. Aproveite muito sua viagem.
      Espero ter te ajudado. um abraço

  2. A gente ouve falar do mal de altitude muito no Peru, mas até esqueci que existem outros países bem altos também hehehe. Não sabia da dica da gingko biloba! No Peru, eles recomendam muito chá de coca e de muña.

  3. Tibete tá lá no topo da lista!!! Sonho total 😉
    Passei por uma experiência não agradável na Bolívia por causa da altitude. Chegamos a ficar a 4000 metros acima do nível do mar e tive dificuldade em fazer coisas simples, como colocar os sapatos. Passei um dia muito enjoada também.
    Sua dicas são ótimas, pois só quem tem uma experiência como essa que sabe o quão importante é se preparar para lugares assim!

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