Conhecer Havana por outro ângulo: o Lado B dessa cidade nada convencional.

Conhecer Havana por outro ângulo: o Lado B dessa cidade nada convencional.

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Conhecer o Lado B de um lugar é fugir do convencional, é experimentar o que pouca gente conhece. É encontrar tesouros escondidos, pequenos potinhos de ouro no final do arco-íris. E tesouros como esses não podem ficar escondidos. Então, eles se tornaram tema da primeira blogagem coletiva que eu e um grupo de blogueiros apaixonados estamos fazendo, cada um falando sobre um destino diferente. No final do post, tem uma listinha de todos os outros participantes. Não vai perder! 😉

Havana foi amor à primeira vista e, portanto, Cuba foi amor à primeira vista. Daqueles que brilha os olhinhos e faz o coração bater acelerado. E quanto mais a conhecia, mais gostava dela.

E tenho uma grande suspeita que parte de todo esse meu carinho por Havana é fruto da intensidade com que vivi enquanto estava lá, tentando entender o sistema, entender as pessoas, suas vidas.

Fugir do roteiro turístico, e me embrenhar nas teias mais fechadas que compõem esse lugar incrível, foi condição indispensável pra conseguir enxergar por dentro e de dentro da cidade. Cuba é toda lado B! Havana é toda lado B!

E se você quer viver uma experiência labo B, faça seu roteiro com tudo o que você tem direito, mas não deixe de viver a cidade (e o país), não deixe de respirar e parar pra observar o que acontecerá ao seu redor. Tente captar um pouquinho da essência da vida cubana e permita-se viver uma das experiências mais marcantes da sua vida viajante.

E depois de muito esforço, eu consegui selecionar cinco atividades lado B que eu acho imperdíveis para você fazer em Havana. Jogue-se!

#1 Conhecer o Museu da Revolução

“Pô Pam, você tá de brincadeira comigo, não tá? Museu da Revolução? O Museu é a top atividade mais turística ao conhecer Havana, e em Cuba!” Se você está indignado com a minha indicação, eu te digo: sim, o Museu é um dos primeiros lugares que qualquer pessoa vai te indicar pra conhecer, mas eu vou te sugerir como conhecer.

O Museu da Revolução é simplesmente o lado B de toda a história sobre a revolução cubana que você já ouviu falar. É o lado deles da história, a versão que você só tem a chance de conhecer lá em Cuba.

museu da revolução havana
Museu da Revolução Havana

Atitude “lado B” é fundamental pra você extrair do museu toda a riqueza que ele vai te oferecer. Vá com sede de conhecimento, vá sem verdades absolutas. Vá curioso, tente não julgar. Tente enxergar.

Se você decidiu conhecer Havana e decidiu visitar o Museu da Revolução, prepare-se para uma superatividade lado B. Não tenha pressa, vista um calçado confortável, leve uma garrafinha de água e leia, leia tudo o que puder; reflita, questione.

Embora o prédio do museu seja imponente e muito lindo (afinal, ele era o antigo Palácio Presidencial), por dentro, o museu é simples, singelo e honesto. Recheado de recortes de jornal, fotos, cartas trocadas entre os guerrilheiros e documentos oficiais, ele narra sua própria história, mais do que isso, narra a história de pessoas que você vai encontrar na rua com facilidade.

documento histórico museu da revolução havana
Carta enviada por Fidel aos guerrilheiros no início da Revolução.

Tudo tem dois lados. E embora o Museu da Revolução seja figurinha carimbada nos guias turísticos, ele guarda a parte da história que nunca ninguém te contou. E que eu sugiro que você saboreie com calma e sem moderação. Quer mais atividade lado B do que essa?

Interior do museu da revolução havana
Interior do Museu com as marcas das balas nas paredes

#2 Callejón de Hamel

O Callejón de Hamel é um lugarzinho idealizado por um pintor cubana chamado Salvador González Escalona. Inconformado com a que queria criar um espaço dedicado à cultura afro-cubana.

callejon de hammel cultura afro-cubana
Callejón de Hamel

O que nós chamamos carinhosamente de rua-arte, tem pinturas nas paredes, esculturas e lojinhas de artesanato espalhadas ao longo de toda a sua extensão, e já começando no pequeno pórtico de entrada.

Durante a semana, a rua é uma rua “comum” (como se isso fosse possível com toda aquela arte), até mesmo um pouco deserta, porque ela não está localizada em um lugar central. Mas isso é ótimo, principalmente pra quem visita-la durante um dia de semana e quiser ver com calma todos detalhes artísticos.

Callejon de Hamel cuba
Callejón de Hamel – Havana

Aos domingos, a partir do meio-dia, a rua é invadida por cubanos tocando, cantando e dançando rumba. Pra quem gosta de música e dança, e quer se misturar com os cubanos, aconselho de verdade.

Apenas dois pontos de atenção:

1) tome o cuidado pra não ser levado pra lá por um Coco Taxi. Há uma espécie de parceria entre os motoristas de coco taxi e os moradores locais: eles levam os turistas com a intenção de faze-los comprar e, pode acontecer do motorista ficar pressionando até que você gaste alguma coisa.

2)Recentemente, vi alguns relatos de pessoas dizendo que o lugar vem se tornando turístico e que, em alguns domingos, houve até cancelamento das apresentações de dança porque não tinha “turista suficiente”.

Nós adoramos o Callejón e recomendamos muito que você vá, mas tente se informar sobre essas duas questões antes, ok?

#3 Assistir a um jogo de beisebol ou uma partida de xadrez

Conhecer Havana (e Cuba) por dentro é descobrir que os cubanos amam beisebol. Quer informação mais lado B do que essa? Herança norte-americana, o beisebol é o esporte mais praticado e mais adorado no país.

E xadrez… Como eles gostam de jogar xadrez.

Beisebol e xadrez são tão populares, que é praticamente impossível você conhecer Havana e não trombar com pequenas aglomerações de pessoas (homens, principalmente) disputando partidas de xadrez, ou crianças arremessando e rebatendo bolinhas para os ares.

beisebol cuba

E não é preciso ir a um estádio, ou comprar tickets para assistir nada não. O lado B é assistir na rua mesmo. Há muitas pequenas quadras espalhadas pela cidade, sempre cheias de crianças, em que você encontrar um grupo jogando beisebol. As crianças adoram plateias. Já, as divertidíssimas partidas de xadrez acontecem nas calçadas, ou na porta de pequenos estabelecimentos comerciais.

jogo de xadrez havana
Jogo de xadrez

Chegue perto e pergunte se pode assistir. Garanto que eles vão adorar. Ria, torça, converse, e se tiver no pique, jogue junto. Viva a paixão cubana por esses esportes de dentro.

Veja também: Uma carta de amor a Cuba

#4 Visitar um mercado popular

Garanto que pelo menos um dos leitores desse post já ouviu falar da famosa lista de compras dos cubanos. Essa lista é basicamente uma relação dos alimentos e itens de higiene, e suas respectivas quantidades, que cada família pode comprar por mês.

A lógica (veja bem, eu disse lógica) é simples: como Cuba realiza trocas comerciais com pouquíssimos outros países no mundo, a oferta de alimentos é pequena. Assim, pra garantir que não falte comida para ninguém, as quantidades são contadas mês a mês.

De posse dessa lista, as famílias vão a pequenos mercados para fazer a retirada dos alimentos. Os mercados são pequenos mesmo, de bairro, e encontramos muitos deles espalhados pela cidade.

Mercado popular Havana
Mercado popular Havana

Você pode entrar, conversar com as atendentes, entender como isso funciona. Só evite tirar fotos. Não que elas sejam proibidas, mas eles se sentem desconfortáveis sobre o uso que as pessoas podem fazer das fotos. Respeite.

Visitar um mercado, ou também uma farmácia (onde os medicamentos são armazenados em potes de cerâmica e vendidos em pequenas porções fracionadas), é um mergulho mais fundo na cultura e no modo de vida dos cubanos, é aquela olhadinha pela fresta da porta que oferece um ângulo surpreendente de visão.

drogeuria johnson havana
Drogaria Johnson
drogeuria johnson havan
Drogaria Johnson

#5 El Chanchullero

Se eu fechar os olhos, posso sentir o gosto e o cheiro MARAVILHOSO dos camarões servido no El Chanchullero. Como conhecer Havana sem experimentar a comida do El Chanchullero? Não podia deixar de trazer uma dica gastronômica lado B.

El Chanchullero Havana
El Chanchullero Havana

Indicação da Carmen, a dona da casa em que ficamos em Havana, El Chanchulleto é um restaurantezinho enfurnado no coração da cidade velha recheado de memórias e com o melhor camarão que comemos em Havana, um dos melhores que já comemos na vida. Por módicos 6,50 CUCs, ou seja 6,50 dólares, nós comemos essa delícia e tomamos uma cerveja.

Frequentado basicamente por locais, chegue cedo (são poucas mesas disponíveis), peça um prato de camarão (de preferência ao alho e óleo ou com abacaxi) e uma cerveja Cristal. Enquanto espera, vasculhe todos os cantinhos das paredes do restaurante em busca de fotos históricas, objetos curiosos, gravuras e declarações de amor. E deixe sua recordação também.

E quando sua comida estiver pronta, apenas agradeça e coma cada pedacinho como se não houvesse amanhã.

camarões el chanchullero
Camarões El Chanchullero

Cuba é toda lado B, conhecer Havana é labo B. Exercite o seu lado B. Nos lugares por onde passar, nas conversas que você terá e na história que vai ouvir, permita-se olhar pelos olhos deles, permita-se ouvir aquele lado do disco que não tem as músicas mais famosas, mas que guarda grandes surpresas.

Informações úteis:

Museu da Revolução

  • Quanta custa: 8 CUCs (equivalente a 8 dólares) + 2 CUCs para fotografar.
  • Onde fica: Calle Refugio, 1, Cidade Velha

Callejón de Hammel

  • Quanto custa: 5CUCs aos domingos. Nada durante a semana
  • Onde fica: cruza as ruas Aramburu e Hospital, no centro

El Chanchullero

  • Quanto custa: incríveis 4,50 CUCs um prato de camarão
  • Onde fica: Calle Teniente Rey, 457, Cidade Velha

 

Esse post é parte de um trabalho conjunto com outros blogueiros de viagem, que nós chamamos de blogagem coletiva. Veja os outros blogs participantes.

Buenos Aires para BrasileirosLado B da gastronomia portenha

Disney Guia5 atrações desconhecidas dos parques das Disney

ItalianaLendas urbanas: o lado B do Pantheon, em Roma

Juntando MochilasMuseus pouco conhecidos do Recife

RetripAtrações Lado B de São joão del Rei

Segredos de Londres – Programa lado B em Londres: cinema-noitada

TrípolisO lado B de Sampa

 

Você também pode ler mais dicas e textos inspiradores de viagens, seguindo Contos da Mochila nas redes socias.

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Obrigada por ler! <3

13 COMMENTS

  1. Isto é o que todos nós buscamos né?! O lado B de todos os lugares que visitamos. Ver um lugar com outros olhos, e se apaixonar pelos encantos escondidos nele.

  2. Um dos destinos da minha wishlist! Super legais as dicas Pam! Tudo anotadinho na minha planilha de planejamento! hahaha Obrigada! beijokas

  3. Pam, parabéns pelo post! Essa foi a 1a vez que li sobre Cuba e Havana e fiquei com vontade mesmo de conhecer! Quem sabe agora que tá td mais fácil (e acabei de ver promoção de passagem no MD hehehe). Bjao!

  4. Que post show, Pam! Também adorei o Museo de la Revolución – tudo super detalhado. E também adorei conhecer mercados locais. Ah, também andei de ônibus normal, foi super interessante.
    Pena que o Contos da Mochila não existia em 2007 – perdi os outros programas… mas curti La Habana mesmo assim!
    beijo!

    • Deb!!! Adorei sua visita! Havana é assim mesmo, né? Apaixonante! Nós andamos muito a pé, então não usamos o ônibus, mas não tenho dúvidas de que vale a pena! 😉
      Um beijo

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